Lançamento Jupiter EP + Entrevista com Lia Kapp

Por: Fábio Braga e Tatyane Oliveira

Primeiramente, solta o play no EP Jupiter:

Lia Kapp é uma cantora e compositora curitibana, sua carreira musical teve início aos 15 anos, quando ela começou a escrever algumas músicas, o resultado foi o primeiro EP ‘Conflito‘,

Em 2018 saiu ‘Metamorphosis’, o primeiro disco que marca suas transformações musicais e pessoais durante sua trajetória de vida. Na verdade, ele funciona como uma continuação do primeiro EP ‘Conflito’ lançado lá por volta de 2015 e que deu início a sua carreira musical.

Lia é responsável por todas as composições, estética e produção do álbum, agora em 2019 ela retorna com seu novo EP ‘Jupiter’, mas dessa vez acompanhada de uma banda, formada por Gustavo Mazuroski (guitarra), Erich Zimmermann (baixo e teclas) e Gabriel Bryl (bateria), além dela nos vocais.

O disco novo promete uma pegada mais doom, bem mais voltado pro metal, mais dark do que os outros trabalhos, sem perder a essência do vozeirão da Lia. A formação da banda veio pra dar peso ao projeto, para encorpar e aprimorar o que já era muito bom. Acho que já podemos intitular como Chelsea Wolfe brasileira, não?

Aproveitando o lançamento das novas músicas batemos um papo com ela para saber como foi a transição de solo para banda, as composições e ideias do novo disco e planos para o futuro.

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1- No que o Júpiter se diferencia do Conflito e do Metamorphosis?

LIA: A característica principal desse trabalho é que não é mais algo solo meu. O Jupiter foi criado por nós quatro (Erich, Gabriel, Mazu e eu), então há um pedacinho de cada, com influências que eu sozinha não tinha. Além disso, nós optamos por gravar todos os instrumentos organicamente, então não tem mais bateria de preset e nem timbre gerado pelos programas de áudio (ok, tem uma beatzinha em uma das músicas e a gente deu leves lapidadas nos timbres através do guitar rig, risos). Outra coisa é que o Mazu evoluiu muito na mix e na master, e tivemos auxílio de amigos nossos que também trabalham com produção, então tudo está muito maior, e eu considero ótimo, modéstia à parte, risos. A gente tem que gostar do que cria, né? Então basicamente é isso. A gente tá muito contente mesmo. É um passo enorme na nossa carreira e não dá nem pra comparar com os antigos.

MAZU: Jupiter é um álbum que nasceu de ensaios, então diferentemente dos trabalhos anteriores, ele é um álbum feito para performance ao vivo. Isso refletiu na produção, nos vimos na obrigação de gravar as baterias e guitarras em estúdio, sem depender demais de plugin.

ERICH: Com o Conflito eu nunca tive muito contato, mas o Metamorphösis eu vejo muito essa pegada meio épica, conceitual, super ambiciosa que eu acho muito foda… De certa forma então eu acho o Jupiter mais contido, porque pra mim ele é muito sobre quatro pessoas que queriam mandar um som, sacas? E aí nisso também entra algo que pra mim é muito característico do Jupiter, que nele a gente é permeado por um monte de influências cruzadas, porque cada um de nós tem um rolê completamente diferente e de algum jeito juntando tudo dá nisso aí. Acho massa que cada um esteja presente ali de maneiras variadas, mas que o resultado acabe sendo bastante coeso, como é pra mim o EP.

2- Quais as influências desse álbum novo?

LIA: Acho que a mais perceptível é que a gente bebeu das fontes do doom metal, o que eu particularmente gosto muito e não conseguia fazer, mas com eles veio fácil. No dia que a música “Jupiter” surgiu, a gente já notou que essa seria a vibe toda. De artistas acho que posso citar sempre nossa musa Chelsea Wolfe, mas dessa vez tem um certo saxofone no meio que nos influenciamos em trabalhos do Bohren & Der Club of Gore e Oiseaux-Tempête. Além disso, o Mazu trouxe o post-rock, o Erich, o black metal e o Gabriel, o jazz.

ERICH: Na época eu estava ouvindo bastante black metal atmosférico, então rolava muito Deafheaven, Alcest, Amesoeurs, o rolê… Acho que acabou saindo ali um tanto de Black Rebel Motorcycle Club, um stoner que ouvi muito… E talvez um A Place To Bury Strangers na coisa meio batendo forte & lento…

GABRIEL: Na minha visão, o álbum tem muitas influências bem mistas, num nível que acho muito difícil enquadrá-lo em um gênero específico. Pegamos muita coisa de post rock, ruídos e sopros, também tem orquestrações e momentos rápidos que transicionam para partes lentas. Acho que meus colegas de banda não concordariam muito com essa afirmação, mas eu acho que Jupiter chega a poder ser considerado um trabalho de rock progressivo.

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3- Como foi a transição de Lia Kapp artista solo pra banda Lia Kapp e como você conheceu os atuais integrantes?

LIA: A transição ocorreu bem naturalmente mesmo. Nós estávamos ensaiando e eu tive a ideia de criarmos juntos uma introdução para os shows, e na hora a música simplesmente apareceu pra nós. No mesmo dia também decidimos reformular a música Verdict, do Metamorphösis, e aí surgiu a banda propriamente dita, visto que antigamente os meninos eram meus músicos de apoio. Quanto aos integrantes, o Mazu sempre esteve comigo, desde o começo. Na verdade, sempre teve um pedacinho dele, tanto nos shows quanto no próprio Metamorphösis. O Erich era amigo nosso (ele conheceu o Gustavo antes e em 2015 fomos apresentados) e sempre fez umas músicas muito interessantes e que eu aprecio muito. No começo da banda de apoio, a Ana (minha amiga que estuda comigo) era quem ficava nas teclas, mas ela não pôde viajar conosco para São Paulo, e então o Erich entrou no lugar dela, e assim permaneceu. O Gabriel surgiu num momento de desespero em que ficamos sem baterista e ele entrou correndo e tivemos apenas um ensaio antes do show do dia 14 de abril de 2018, que foi o primeiro show em que nós quatro tocamos juntos. Nos conhecemos na faculdade de música na UFPR, ele é meu calouro e afilhadinho, risos.

GABRIEL: Conheci a Lia quando entrei para a faculdade de música na UFPR, ela me amadrinhou como veterana. Em algum momento do início de 2018 a banda precisava de um baterista e aí PUM eu entrei pra banda. A partir daí foi muito natural, tocávamos as músicas do Metamorphösis, mas a cada ensaio elas saíam de um jeito diferente, então foi nascendo o Jupiter, de maneira completamente natural.

4- Como tem sido esse seu caminho dentro da música até agora?

LIA: Acho que agora é o meu melhor momento e o momento em que estou mais satisfeita com o que estou fazendo. Talvez eu já tenha falado isso antes, mas cada ano que passa eu acabo descobrindo um pouco mais sobre tudo, sobre mim, sobre o que posso ser capaz, sobre o que eu posso me tornar… Comecei a tocar nos shows dois instrumentos que gosto muito, a guitarra e a bateria. Claramente preciso aprender muito mais, risos, mas só de poder tocar um pouquinho já me sinto um tanto quanto “poderosa” e mais próxima a quem eu quero ser como artista. O meu caminho começou na época em que eu tocava uns acordes no piano e as músicas eram praticamente só isso e a minha voz, e os amigos e amigas começaram a apoiar, e fomos conhecendo pessoas novas que começaram a ir aos shows e a sair com a gente. Acho que muitas dessas pessoas acabaram ficando no meio do caminho, há algum tempo atrás até ficaram surpresos que tocamos com formação completa agora. Talvez seja até meio assustadora a comparação. Ou não. Eu sempre fui dark mesmo. Mas para ser sincera, eu não quero mais tocar piano e eu nem toco mais também, nunca fui pianista de verdade. Sei lá. Acho que eu estava presa no estereótipo de menina triste tocando piano triste. Não que eu tenha parado de escrever letras e melodias tristes, mas eu quero dar um passo adiante e mostrar que eu não sou frágil.

ERICH: Pra mim é muito novo porque é a primeira vez que estou num role oficial e tal… Foi muito bom porque me senti muito à vontade quando a Lia me convidou.

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5- Quais os próximos planos e a agenda de divulgação do disco?

LIA: Nós queremos fazer um clipe, e foi por isso que arrecadamos dinheiro através do financiamento coletivo no kickante, e já estava tudo combinado: iríamos gravar em maio. Mas a equipe que selecionamos decidiu que não queria mais trabalhar com a gente. Agora temos que buscar tudo novamente, quem sabe isso seja bom. As coisas sempre vêm com um por que, pra gente aprender. Fora isso, por enquanto não há nada combinado e nada certo. Queremos ir pra São Paulo e para outras cidades também, só ainda não deu tempo de marcar, ficamos muito ocupados com as últimas coisas do Jupiter e nós todos estudamos ou trabalhamos, e temos outros projetos em que estamos envolvidos. É tudo muito corrido, mas no final das contas dá certo. A gente dá um jeito. Por mais que seja meio absurdo, já estamos pensando no nosso próximo disco. Eu não sei sossegar, tenho muitas ideias, eles também, e assim seguimos escrevendo coisas novas e tentando buscar sonoridades novas. Experimentando.

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